sexta-feira, 21 de março de 2008

AMOR ESTRANHO AMOR...POR FÁBIO DE LIMA

Eu não vou falar mais de amor. Essa história já cansou. Vivo quebrando a cara. Acho que mulher nenhuma quer algo sério mais. Não, elas falam que querem, mas, na verdade, não querem. Você fala em namoro e os olhos delas brilham – e quando tudo começa, elas retrocedem. Elas dizem que não estão preparadas para uma relação estável. Não agora. Dizem que você está indo rápido demais. Sempre tem uma desculpa. Mulher é criativa e suas desculpas são cada vez melhores.
Sou romântico, mas isso nunca me levou a nada. Sou o homem dos sonhos de qualquer mãe para ser o genro dela – mas não o homem para ser o marido de uma mulher. Sou bonzinho demais para isso e mulher detesta homem bonzinho. Mulher gosta de homem sacana – para sofrer muito e depois falar para o mundo que só existe homem filho da puta. Mulher não acredita mais. E eu estou começando a, também, não acreditar mais nesse Amor estranho Amor.
Já fiz de tudo. Tentei fazer tudo certo. E quando o certo não dava certo eu já fiz tudo errado, também, para ver se assim acertava. Mas nada deu certo – nem o certo e nem o errado. Então, eu, escritor, poeta (bela merda), passei a ser visto como o cara estranho que só fala em amor e casamento. Realmente ninguém merece um ET desse tipo em sua vida. Tentei mudar e juro que tentei ser um homem como qualquer outro, metido a garanhão e que pega todas, mas não se apega a nenhuma mulher. Tentei, mas, definitivamente, não é meu estilo.
Voltei a ser o que sempre fui. Sou um homem doce – embora nem eu mesmo saiba o que significa ser assim. Sou uma flor sem espinhos num jardim de rosas. Mas não sou isso por que quero. Nasci assim. Essa é aquela cruz que carrego comigo. Sou artista sensível – embora não seja gay. Sou um homem com olhar de homem e com palavras e sentimentos femininos. Então, algumas mulheres me acham o amigo ideal. Lembro que uma vez uma delas me disse que eu era sua melhor amiga de calças. Belas palavras para dar um fora num homem! Diga-me, caro leitor amigo do Comunique-se, se elas não são criativas?!




E assim vou vivendo – escrevendo e sofrendo meus amores impossíveis. Como disse, certa vez, um louco: o impossível só existe até o momento que alguém vai lá e faz. Estou aqui acreditando no amor e nas palavras de todas que um dia já disseram me amar. Continuo sonhando com a igreja, com a aliança e com todas aquelas coisas que sonham os que amam como eu. Estou fora de moda, é bem verdade, mas no meu coração reside um homem que não desistirá, um só minuto, de ser feliz. Comecei esse texto dizendo que não falaria mais sobre o amor. Falei. Disse em algum momento que já estava para não acreditar mais nesse sentimento. Ainda acredito. É difícil: amor estranho amor.
(*) Jornalista e escritor, ou “contador de histórias”, como prefere ser chamado. Está escrevendo seu primeiro romance, DOCE DESESPERO, com publicação (ainda!) em data incerta.

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